Arranjo finalmente coragem para falar da última viagem do meu pai, um
momento muito bonito e infinitamente triste. Foi em 2015, era Agosto. Almoçámos
num restaurante local e fomos depois clandestinamente dizer poemas em homenagem
a ti, deitando as tuas cinzas ao mar, com as próprias mãos, coisa bela e
macabra. A praia do Pedrógão, que tanto amaste e eu também, estava linda e
deserta. Titubeantes avançamos em direcção ao limite sem limite do oceano
Atlântico profundo. Era a hora. Até já ou até nunca são expressões que não
definem o amor e o desespero…
