Foi muito engraçado chegar à Islândia, num dia de nevão, em Fevereiro de
2018. Não sabíamos, eu e a minha magnífica companheira de viagem, ao que íamos. Mas isso faz sempre parte da
aventura. No nosso caso, deparámos com uma família que nos achou completamente doidas por termos abandonado o ameno Portugal para entrar no universo gélido. São duros os russos. Mas enternecedores, de algum modo - pensemos, por exemplo, em Dostoiévski, n'O Jogador. Atrevi-me a tirar esta foto doméstica, como uma espia maldosa que divulga segredos do KGB. Mas foi o gato que me apanhou. Claro que pensei que ali havia gato.
Trataram-nos muito bem e tive a oportunidade de lhes cozinhar um jantar Português, à minha moda: émincé de frango na sua cama de arroz salteado com legumes da eira. Para quem comia flocos, dia e noite, foi um manjar dos deuses. E para nós também, necessitadas que estávamos de uma refeição a sério e quente.
Seis dias que aqui passei valeram uma vida. Afinal, o tempo é um número: pode ser lento, rápido e intenso, de acordo com as circunstâncias e com a sensibilidade dos intervenientes.
Bendito desejo de ir mais além, superando, a passos de formiga, o caminho que nos separa daqui a esse tal além.

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